| Memórias de Um Professor
Como professor - que até o presente momento ainda sou - tenho um trunfo: minha sala de aula se torna um laboratório de experiências e análises de tipos psicológicos.
Um certo aluno não estava conseguindo fazer o exercício proposto. Ele olhava para o computador como se em algum instante o próprio monitor lhe mostraria uma dica! Acabei intervindo no impasse e expliquei como fazer o que era pedido. O aluno irritou-se e sentiu-se contrariado por não ter conseguido ou por eu ter ajudado. Passadas algumas semanas, propus um exercício semelhante: não conseguiu de novo e a história se repetiu!
Também me lembro de um outro tipo bem curioso de aluno: Peço à sala para que clique na opção A, ele clica - claro - na opção B ou C! Você explica de novo e ele comete o mesmo erro, só que desta vez de desaforo.
Lembro-me ainda de uma aluna que me foi até querida - uma senhora. Ela falava alto e cuspindo para todos os lados. Tumultuava a classe e, quando não, dormia. Aprendia o que sua capacidade permitia, mas esquecia. No final do curso assinei o diploma dela com a certeza de que ela aprendeu um pouco menos de 5% do conteúdo dado!
Teve até a aluna que viu o assistente do Office (aquele clips chato) e pulou assustada da cadeira: "Olha Silas, o computador está com vírus!!"
Isso tudo pra não citar os alunos folgados, indisciplinados, desinteressados, emocionalmente abalados, analfabetos e daí por diante.
Por último, para fazer justiça, há ainda um tipo precioso de aluno. Aquele que faz com excelência os exercícios propostos, até treina em casa o que aprendeu e demonstra muito carinho pelo professor porque aprecia sua missão. Mas é justamente pelo fato desse tipo estar em extinção que estou mesmo determinado a deixar essa gloriosa profissão! |